domingo, 31 de julho de 2016

E-book 'O Mistério da Estrada de Sintra'


     . Autor: Eça de Queirós
     . Ano de lançamento: 1884
     . Género: Romance policial
     . Número de Páginas: 358
     . Formatos Disponíveis: EPUB - PDF
     . Idioma: Português Europeu

sábado, 30 de julho de 2016

E-book 'A Relíquia'


     . Autor: Eça de Queirós
     . Ano de lançamento: 1887
     . Género: Romance
     . Número de Páginas: 367
     . Formatos Disponíveis: EPUB - PDF
     . Idioma: Português Europeu

sexta-feira, 29 de julho de 2016

E-book 'A Cidade e as Serras'


     . Autor: Eça de Queirós
     . Ano de lançamento: 1901
     . Género: Romance
     . Número de Páginas: 186
     . Formatos Disponíveis: EPUB - PDF
     . Idioma: Português Europeu

quinta-feira, 28 de julho de 2016

E-book 'O Crime do Padre Amaro'


     . Autor: Eça de Queirós
     . Ano de lançamento: 1875
     . Género: Romance
     . Número de Páginas: 436
     . Formatos Disponíveis: EPUB - PDF
     . Idioma: Português Europeu

terça-feira, 26 de julho de 2016

E-book 'A Tragédia da Rua das Flores'


     . Autor: Eça de Queirós
     . Ano de lançamento: 1980
     . Género: Romance
     . Número de Páginas: 521
     . Formatos Disponíveis: EPUB - PDF
     . Idioma: Português Europeu

E-book 'Singularidades de uma Rapariga Loira'


     . Autor: Eça de Queirós
     . Ano de lançamento: 1902
     . Género: Conto
     . Formatos Disponíveis: EPUBMOBI
     . Idioma: Português Europeu

Lançamento mundial do novo Harry Potter


     No próximo dia 31 de julho, data de aniversário da autora J. K. Rowling, será lançado o novo livro da saga Harry Potter, o oitavo, A iniciativa terá lugar na Livraria Lello, na cidade do Porto, exatamente à meia-noite.
     J. K. Rowling viveu na cidade Invicta durante dois anos e a Livraria Lello, nomeadamente a sua escadaria em caracol e as passagens aéreas, inspirou a criação de espaços de Hogwarts e da Livraria Flourish and Blotts.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Audiolivro 'O Pequeno Príncipe'


     O Pequeno Príncipe, a obra imorredoura de Antoine de Saint-Exupéry, está acessível a todos em formato de audiolivro, na voz de grandes atores brasileiros, acompanhada por uma belíssima banda sonora.



O PEQUENO PRÍNCIPE
Baseado na obra de Antoine de Saint-Exupéry

Um aviador e seu avião.
Uma pane no Deserto do Saara.
Um encontro inesperado com um príncipe que veio de outro planeta.
O clássico da literatura interpretado por grandes artistas brasileiros.

Adaptação: Lara Velho
Música: Glauco Fernandes
Direção de Locução: Hélio Ribeiro
Direção Artística: Lara Velho

Com:
Marcos Frota (O Narrador / O Aviador)
e Nino Ottoni (O Pequeno Príncipe)


Elenco:
Neila Tavares: A Rosa
Paulo Cesar Peréio: O Rei
Diogo Vilela: O Vaidoso
Hélio Ribeiro: O Bêbado / O Vendedor de Pílulas
Paulo Betti: O Empresário
Pedro Paulo Rangel: O Acendedor de Lampião
Sérgio Britto: O Geógrafo
Ney Matogrosso: A Serpente
Melise Maia: A Florzinha Insignificante
Cissa Guimarães: A Raposa
Gustavo Ottoni: O Manobreiro de Trens

Côro de Rosas: Carmen Frenzel, Claudia Ventura, Lucília de Assis e Suzana Abranches

Orquestra:
Cítara, Piano e Violino Elétrico: Glauco Fernandes
Harpa: Cristina Braga
Flautas (em C e G): Eugênio Ranevsky
Contra-baixo: Denner Campolina
Violoncello: Marcelo Salles
Viola: Luiz Audi
Violinos: Glauco Fernandes, Léo Ortiz,
Daniel Albuquerque e Pedro Mibielli
Fagote e Contra-fagote: Márcio Zen
Oboé: Carlos Prazeres
Trompete: Jessé Sadoc
Trompa: Eduardo Prado
Clarinete e Clarone: Ricardo Ferreira
Percussão: Eliseu Costa e Edmere Sales
Voz (faixa 4): Di Mostacatto

Gravado nos Estúdios: Casa de Pedra, Joá, Nova Onda, GF e Disco Voador
Engenheiros de Áudio: Cyro Telles, Roberto Tyszler e João Paulo Reis Santos
Mixagem e Masterização: Renato Luiz de Oliveira

Links para os capítulos:
Capítulo 1: https://youtu.be/Y65SyX8nq-w
Capítulo 2: https://youtu.be/YNTddjIZpqg
Capítulo 3: https://youtu.be/g-e2vEAelCY
Capítulo 4: https://youtu.be/HkClh_cZUXc
Capítulo 5: https://youtu.be/Cs3LHyoE5is
Capítulo 6: https://youtu.be/wNrgZmbyfq8
Capítulo 7: https://youtu.be/s6iqtQQ-Jn4
Capítulo 8: https://youtu.be/lpUK9ls6IBU
Capítulo 9: https://youtu.be/aNBUaHk92iI
Capítulo 10: https://youtu.be/MeMkqo96dRk
Capítulo 11: https://youtu.be/Gj3aDnMW71g
Capítulo 12: https://youtu.be/ycpLWItpEd4
Capítulo 13: https://youtu.be/DNUdZHsJ5LY
Capítulo 14: https://youtu.be/5RpFWviJTBw
Capítulo 15: https://youtu.be/45oD_723VPs
Capítulo 16: https://youtu.be/is8-Y73wTTs
Capítulo 17: https://youtu.be/9hmO2we8khA
Capítulo 18: https://youtu.be/UuZfsnsvGng
Capítulo 19: https://youtu.be/BEZpE8LiTfA
Capítulo 20: https://youtu.be/QaGosQ0uZd0
Capítulo 21: https://youtu.be/Tzj1xC6Kids
Capítulo 22: https://youtu.be/40wqneFGElY
Capítulo 23: https://youtu.be/7Nhkls5ri38
Capítulo 24: https://youtu.be/fJBK4iowskM
Capítulo 25: https://youtu.be/v9kBEAQtngI
Capítulo 26: https://youtu.be/ZP5b4liavt0
Capítulo 27: https://youtu.be/Hz6-DADcHDo

quarta-feira, 29 de junho de 2016

A mudança de fronteiras na Europa nos últimos 1000 anos


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Exame Nacional de Português - 9.º ano - 2016 - 1.ª fase - Correção



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Exame Nacional de Português - 9.º ano - 2016 - 1.ª fase



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quinta-feira, 16 de junho de 2016

Magazine Literacia 3D

Magazine Literacia 3D

     Acima encontra-se a ligação para o programa da RTP2 referente à final do projeto Literacia 3D.

     Chamamos a atenção para os minutos 5, 25 a 7, onde podemos ouvir a Joana e a Madalena, as alunas representantes do nosso Agrupamento.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Desafio Literacia 3 D - fase nacional


          Realizaram-se, no dia 3 de junho, na Escola Secundária António Damásio, em Lisboa, as provas da fase final nacional do projeto Desafio Literacia 3 D, promovido pela Porto Editora.
          As alunas do Agrupamento de Escolas de Figueira de Castelo Rodrigo, Madalena Monteiro, do 5.º C, e Joana Coelho, do 7.º B, representaram o distrito da Guarda nas provas de Leitura e Matemática, respetivamente.
         Como prémio pela sua participação, a Porto Editora e os seus parceiros na iniciativa agraciaram todos os participantes nesta fase com um telemóvel.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

'A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho'

A INAUDITA GUERRA DA AVENIDA GAGO COUTINHO

      O grande Homero às vezes dormitava, garante Horácio. Outros poetas dão-se a uma sesta, de vez em quando, com prejuízo da toada e da eloquência do discurso. Mas, infelizmente, não são apenas os poetas que se deixam dormitar. Os deuses também.
      Assim aconteceu uma vez a Clio, musa da História que, enfadada da imensa tapeçaria milenária a seu cargo, repleta de cores cinzentas e coberta de desenhos redundantes e monótonos, deixou descair a cabeça loura e adormeceu por instantes, enquanto os dedos, por inércia, continuavam a trama. Logo se enlearam dois fios e no desenho se empolou um nó, destoante da lisura do tecido. Amalgamaram-se então as datas de 4 de Junho de 1148 e de 29 de Setembro de 1984.
      Os automobilistas que nessa manhã de Setembro entravam em Lisboa pela Avenida Gago Coutinho, direitos ao Areeiro, começaram por apanhar um grande susto, e, por instantes, foi, em toda aquela área, um estridente rumor de motores desmultiplicados, travões aplicados a fundo, e uma sarabanda de buzinas ensurdecedora. Tudo isto de mistura com retinir de metais, relinchos de cavalos e imprecações guturais em alta grita.
       É que, nessa ocasião mesma, a tropa do almóada lbn-elMuftar, composta de berberes, azenegues e árabes em número para cima de dez mil, vinha sorrateira pelo valado, quase à beira do esteiro de rio que ali então desembocava, com o propósito de pôr cerco às muralhas de Lixbuna, um ano atrás assediada e tomada por hordas de nazarenos odiosos.
      Viu-se de repente o exército envolvido por milhares de carros de metal, de cores faiscantes, no meio de um fragor estrondoso - que veio substituir o suave pipilar dos pássaros e o doce zunido dos moscardos - e flanqueado por paredes descomunais que por toda a parte se erguiam, cobertas de janelas brilhantes. Assustaram-se os beduínos, volteando assarapantados os cavalos, no estreito espaço de manobra que lhes era deixado, e Ali-ben-Yussuf, lugar-tenente de Muftar, homem piedoso e temente a Deus, quis ali mesmo apear-se para orar, depois de ter alçado as mãos ao céu e bradado que Alá era grande.
      De que Alá era grande estava o chefe da tropa convencido, mas não lhe pareceu o momento oportuno para louvaminhas, que a situação requeria antes soluções práticas e muito tacto. Travou os desígnios do adjunto com um gesto brutal, levantou bem alto o pendão verde e bradou uma ordem que foi repetida, de esquadrão em esquadrão, até chegar à derradeira retaguarda, já muito próxima da Rotunda da Encarnação: - Que ninguém se mexesse!
      E el-Muftar, cofiando a barbicha afilada, e dando um jeito ao turbante, considerava, com ar perspicaz, o pandemónio em volta: - Teriam tombado todos no inferno corânico? Teriam feito algum agravo a Alá? Seriam antes vítimas de um passe da feitiçaria cristã? Ou tratar-se-ia de uma partida de jinns encabriolados?
      Enquanto o árabe reflectia, do alto do seu puro-sangue, o agente de segunda classe da PSP Manuel Reis Tobias, em serviço à entrada da Avenida Gago Coutinho, meio escondido por detrás das colunas de um prédio, no propósito sábio e louvável de surpreender contraventores aos semáforos, entendeu que aquilo não estava certo e que havia que proceder.
      Sentindo-se muito desacompanhado para tomar conta da ocorrência, transmitiu para o posto de comando, pelo intercomunicador da mota, uma complicada mensagem, plena de números e de cifras, que podia resumir-se assim:
      Uma multidão indeterminada de indivíduos do sexo masculino, a maior parte dos quais portadores de armas brancas e outros objectos contundentes, cortantes e perfurantes, com bandeiras e trajos de carnaval, montados em solípedes, tinham invadido a Avenida Gago Coutinho e parte do Areeiro em manifestação não autorizada. Dado que se lhe afigurava existir insegurança para a circulação de pessoas e bens na via pública, aguardava ordens e passava à escuta.
      De lá lhe disseram que iriam providenciar e que se limitasse a presenciar as ocorrências, mas sem intervir por enquanto.
      Um imediato telefonema para o governador civil e deste para o ministro confirmou que não se encontravam previstos desfiles, de forma que a máquina policial se viu movida a ingerir-se no caso. Soaram as sirenes no quartel de Belém e, poucos minutos depois, alguns pelotões da Polícia de Intervenção vinham a caminho, com grande alarde de sereias e pisca-piscas multicores.
Entretanto, lbn-el-Muftar via pela frente uma grande multidão apeada que apostrofava os seus soldados. Eram os automobilistas que haviam saído dos carros e que, entre irritados e divertidos, se empenhavam numa ruidosa assuada. Que devia ser algum reclame, diziam uns; que era mas era para um filme, diziam outros.
      Ao mouro, aquela peonagem toda não se afigurou particularmente ameaçadora, tanto mais que a turba circundante, de estranhas vestimentas vestida, não parecia exibir armas de qualquer natureza. De maneira que lbn-Muftar optou por manobrar cautelosamente no pouco espaço ao dispor.
      Com alguns sinais do alfange fez que um ou dois esquadrões formassem, com dificuldade, no parque de estacionamento do Areeiro, e uma falange de gente de pé se arrumasse no terreiro da estação de serviço do lado contrário, enquanto o grosso da tropa ocupava a placa central relvada. Decidiu não se deixar impressionar com os trejeitos pouco amistosos que lhe vinham de dentro dos objectos metálicos com rodas que havia por toda a parte, nem com as caras que o fitavam por detrás de um estranho material transparente. Se era uma encantação, melhor era deixar que passasse - segredou para ben-Yussuf que lhe respondeu, desconfiado e muito pálido: - inch Allah!
      Manuel da Silva Lopes, que conduzia um daqueles irritantes camiões carregados de grades de cerveja que a Providência encarregou de ensarilhar os trânsitos em Lisboa, resolveu em má hora abandonar o volante, apear-se, e, decerto enciumado pela concorrência, apontar um calhau miúdo que foi ecoar no broquel do beduíno Mamud Beshewer que, por ainda não ter acordado de tudo isto, era um dos mais quietos da tropa.
       Desprezivamente, Ibn-Muftar deu uma ordem e logo vinte archeiros enristaram os arcos, apontaram aos céus, e expediram, com um zunido tenso, uma saraivada de setas, que obrigou toda a gente a meter-se nos automóveis e a procurar refúgio nas portadas dos prédios ou atrás dos camiões. Veio do Areeiro um grande apupo, desta vez convicto, em uníssono.
      Ora foi este clamor que o comissário Nunes, recém-chegado à Alameda D. Afonso Henriques, à frente dos seus pelotões de choque, interpretou mal. Aí estava a assuada, o arruído, considerou o comissário. Era, uma vez mais, a canalha a desafiar a polícia.
      - Toca a varrer isto tudo até ao Areeiro - disse. E, puxando do apito, pôs a equipa em acção, à bastonada, a eito, por aqui e por além.
      Aquilo não era uma pouca de gente que se varresse assim sem mais nem ontem, de modo que os pelotões da Polícia de Intervenção progrediam com dificuldade e só conseguiram chegar ao Areeiro algum tempo depois, após muita cabeça partida e duas baixas nas suas hostes, de agentes que tinham sido sabiamente atraídos a vãos de escadas por populares mais expeditos.
Expulsa parte da multidão para o Bairro dos Actores, no meio de uma tremenda algazarra, o comissário Nunes, ofegante, reagrupou os seus homens na Praça do Areeiro, em cima da placa relvada, com grande prejuízo das dálias e hortênsias ali plantadas.

      Mas lbn-el-Muftar mostrava-se então sobremaneira irritado por todos os rumores e confusões em torno, e em especial pela zipada de água que alguém havia deixado cair de uma das janelas e que lhe impregnara o manto e a cota de malha.
      Quando viu aqueles peões de escudo e viseira, formados em frente, pensou que era, enfim a guarda avançada de Ibn-Arrik, o cão tomador de Lixbuna, que vinha aí travar-lhe o passo, a coberto de um encantamento mágico.
      Num ápice, rompeu uma carga de cavaleiros berberes, aos gritos de guerra, de alfange em riste, ladeando automóveis, amolgando capots, e aproximando-se inexoravelmente dos rapazes do comissário Nunes.
      Estes, em consciência, não se sentiam preparados para enfrentar cargas de cavalaria moura: a formatura oscilou, rodopiou, desfez-se e, quando os primeiros alfanges assomavam ao lado de um autocarro da Carris, já os briosos homens da Polícia de Intervenção corriam a bom correr até à Cervejaria Munique, onde se refugiavam atrás do balcão, deixando a moirama senhora da placa central da Praça do Areeiro.
      Por essa altura, já a tropa do Ralis e a da Escola Prática de Administração Militar, ali ao Lumiar, tinha recebido ordens para intervir. E em boa hora, porque o comissário Nunes e a sua gente, acuados na Munique, a ver passar árabes a cavalo, de ar ameaçador e façanhudo, sentiam-se cada vez menos seguros.
      Os blindados do Ralis não conseguiram passar além do Bairro da Encarnação. Ocuparam a faixa da esquerda, para chegarem mais depressa, e acabaram por ver-se envolvidos num medonho engarrafamento com camiões TIR.
      Mais sorte teve o capitão Aurélio Soares, à frente da sua companhia de intendentes. Largaram as viaturas em frente do Vavá, na Avenida dos Estados Unidos, e abalaram em passo de corrida por ali abaixo, pela faixa relvada, até estabelecerem contacto com a tropa de lbn-el-Muftar, no cruzamento com a Gago Coutinho.
      O capitão Aurélio trazia instruções para proceder a um reconhecimento, avaliar a situação e agir em conformidade, mas sempre com moderação. De maneira que dispôs a sua gente em atiradores, depois de afastar os civis com berros enérgicos, e mediu o que tinha pela frente: eram milhares de mouros, a maior parte dos quais a cavalo, que se apertavam na Gago Coutinho, por entre os automóveis e o tráfego da hora de ponta.
      - Estas coisas só me acontecem a mim! - lamentava-se o capitão para consigo, esquecido dos muitos milhares de lisboetas que se encontravam no momento confrontados com o fenómeno. - Bom, vamos lá a ver... - E comandou alto, para o lado: - Venha você daí comigo, ó nosso alferes, e traga uma secção prà segurança!
      Cautelosamente, os sete homens, de dedo no gatilho, aproximaram-se da mourama.
      Nessa ocasião, lbn-el-Muftar e o seu estado-maior desciam a Avenida para observar o estado geral do exército, e vinham encarar com a embaixada do capitão Soares que, à cautela, acenava com um trapo branco, emprestado pelos locatários de um rés-do-chão da vizinhança. Ao árabe, por instinto, afigurou-se-lhe serem aqueles homens militares e, embora não percebesse bem o significado do pendão branco que o capitão brandia, não lhe pareceu que as intenções fossem suspeitas. As circunstâncias, por outro lado, com toda aquela estranha balbúrdia em volta, aconselhavam a contemporização.        Assim, dispôs-se desde logo a parlamentar.
       A trote, rompeu pela frente de um piquete da Companhia dos Telefones que olhava para tudo aquilo com um ar espantado, dirigiu-se ao capitão, e saudou, de mão no peito:
      - Salam aleikum.
      E o capitão Soares, que tinha feito uma comissão na Guiné, em contacto com gente muçulmana, respondeu automaticamente, curvando-se um pouco:
      - Aleikum salam.
      Neste momento, a deusa Clio acordou do seu sonho, num sobressalto, e logo atentou no erro cometido. Num credo, desfez a troca de fios e reconduziu cada personagem a seu tempo próprio.
      De maneira que, assim como haviam surgido, assim se sumiram os árabes da Avenida Gago Coutinho, deixando o capitão Soares e todos os outros a coçar a cabeça, abismados.
      lbn-el-Muftar, por seu lado, logo que viu despejarem-se os campos daquelas gentes, daqueles objectos e daqueles prédios, soltou um suspiro de alívio e resolveu arrepiar caminho, desistindo de atacar Lixbuna onde, aliás, e ao contrário do que pensava, já lbn-Arrik o esperava, com máquinas de guerra e fogos acesos nas muralhas. 0 árabe considerou todas aquelas aparições de mau agoiro, pouco propiciadoras de investidas felizes contra Lisboa, e desistiu da cidade.
      A musa Clio não teve poderes para fazer com que os eventos já verificados regressassem ao ponto zero. Disso nem o pai dos deuses seria capaz. Mas pôde obnubilar a memória dos homens com borrifos de água do rio Letes, de maneira que, poucos segundos após os acontecimentos narrados, nem a tropa moura de lbn-el-Muftar se lembrava do encantamento que lhe tinha surgido ao caminho, nem o comissário Nunes sabia o que estava a fazer escondido atrás do balcão da Munique, nem o capitão Soares sabia por que estava ali a flanar com a tropa no fundo da Avenida dos Estados Unidos, nem o guarda de segunda classe da PSP, Manuel Tobias, sabia por que se tinha dado aquele engarrafamento, nem o coronel Vaz Rolão, do Ralis, sabia como tinha ido parar à estrada e deixado que uma auto-metralhadora se enfeixasse num camião TIR.
      Ao lbn-Muftar não foi muito gravoso o acontecimento, pois aproveitou o caminho de regresso para talar os campos de Chantarim, nas margens do Tejo, com grande vantagem de troféus e espólios.
      Pior foi para o comissário Nunes, o capitão Soares e o coronel Rolão explicarem em processo marcial o que se encontravam a fazer naquelas zonas à frente de destacamentos armados. Falou-se muito em insurreição, nesses dias, e os jornais acompanharam apaixonadamente o correr dos processos.
      Quanto à deusa Clio, foi privada de ambrósia por quatrocentos anos o que, convenhamos, não é seguramente castigo dissuasor de novas distracções.
in A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho , Lisboa, Caminho, 1992.


terça-feira, 26 de abril de 2016

Ler para Crescer


           No segundo período, deu-se continuidade ao Projeto Ler Para Crescer. As atividade desenvolvidas neste âmbito foram integradas na Semana da Leitura, pois as obras selecionadas abordaram as temáticas apontadas pelo PNL.
          A turma do 1.º ano da EB1 de F.C.R., bem como as turmas de Escalhão, Vermiosa e Reigada trabalharam a obra A Flor via ver o Mar de Alves Redol; os 2.º anos ficaram a conhecer O Elefante cor-de-Rosa de Luísa Dacostapara os 3.º anos foi escolhido o Conto “O senhor do seu nariz” de Álvaro Magalhães; o 4.º ano trabalhou “O Príncipe Feliz” de Oscar Wilde .
          Para além das leituras e dos recontos orais dos mesmos, foram efetuadas atividades de expressão plástica e de expressão escrita. Também foram envolvidos os pais ao serem chamados a colaborarem com os seus filhos na execução de trabalhos relacionados com os livros lidos. Desses trabalhos foram expostos, na Biblioteca Escolar, os senhores do seu nariz do 3.º A e os elefantes cor-de-rosa do 2.º A.

sábado, 16 de abril de 2016

Projeto 'Histórias da Ajudaris'


            Uma vez mais o Agrupamento colaborou com o Projeto solidário Histórias da Ajudaris, este ano subordinado ao tema Alimentação. Os nossos pequenos escritores deram asas à sua imaginação e redigiram poemas e textos narrativos bem bonitos. Foram selecionados e enviados trabalhos das turmas A do 3.º ano; C do 5.º ano e A e C do 6.º Ano.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Centenário do nascimento de Vergílio Ferreira


            A Equipa Pedagógica da Biblioteca Escolar e os docentes do Departamento de Línguas aliaram-se aos múltiplos eventos que se têm realizado um pouco por todo o distrito da Guarda para comemorar o Centenário do nascimento de Vergílio Ferreira.
            Na Biblioteca Escolar, realizou-se uma exposição sobre o escritor visando a divulgação das obras vergilianas.
            Todas as turmas do nono ano, acompanhadas das docentes de Português, deslocaram-se à BE para visionarem um documentário sobre a vida e obra do autor e preencheram a respetiva grelha de observação. Esta atividades estendeu-se aos alunos das turmas B dos 7.º e 8.º anos integrados nas aulas de apoio de Português. Na turma do 8.º A, em duas aulas de apoio foram lidos contos do autor.
Os alunos do 9.º A realizaram trabalhos de pesquisa sobre a vida e obra do escritor, tendo os mesmos sido divulgados no Painel das Línguas, na Escola Secundária, e realizaram um pequeno filme sobre a atividade.
            A aluna Ana Sousa, do 6.º C, elaborou uma biografia sobre Vergílio Ferreira para o Jornal de Parede da EB2.
            Assim se relembrou Vergílio Ferreira, que nasceu a 28 de janeiro de 1916, em Melo, concelho de Gouveia.

sábado, 2 de abril de 2016

Clube de História: 'A História do Homem Calado'

          Em colaboração com a docente responsável pelo Clube de História, foi concretizada uma atividade com todas as turmas do 5.º ano que teve por base a leitura do livro História do Homem Calado, da autoria de Valter Hugo Mãe.
          Procurou-se com a atividade promover o gosto pela leitura, sublinhando as dimensões do prazer, da festa e da partilha e também incutir nos alunos o respeito pela diferença.