sábado, 20 de novembro de 2010

Leon Tolstói

          Leon Tolstói faleceu há cem anos (09/04/1828 - 20/11/1910), com a idade de 82. Aqui postamos um vídeo (Leo Tolstoi - The Last Years) referente ao seu octogésimo aniversário com imagens raras do escritor.


          Os seus últimos anos e dias, agonizantes pela pneumonia que o vitimou, foram seguidos em todo o mundo. Para tal, foi instalada uma linha de telégrafo em Astapovo para transmitir notícias acerca do seu estado de saúde. Porém, no seu leito de morte, Tolstói estava pouco consciente de toda esta agitação.
          Nove dias antes, o escritor tinha abandonado a sua propriedade em Yasnaya Polyana, em segredo, antes do amanhecer, acompanhado pelo seu médico pessoal. A ideia de sair de casa já o tinha acometido em diversas ocasiões e, finalmente, tinha decido romper com a sua vida familiar, com a discussão acerca da sua herança literária, com as batalhas constantes entre a sua esposa e o seu secretário. Na noite da sua fuga, escreveu que estava a fazer o que as pessoas da sua idade faziam: abandonar a vida mundana para passar os últimos dias só e em sossego.
          A caminho da estação de comboios, parou no convento de Shemardino para visitar a sua irmã. Passou essa noite num hotel junto ao mosteiro e partiu por volta das quatro da madrugada em direcção ao sul. No entanto, não foi muito longe dada a febre elevada com que chegou a Astapovo.
          A sua fuga de Yasnaya Polyana inspirou os seus contemporâneos, pois foi vista como um abandono consciente dos constrangimentos da vida, como o remover das últimas barreiras entre o escritor e Deus. Ivan Brunin, um autor russo que obteria o Prémio Nobel da Literatura em 1933, escreveu The Release of Tolstoy, um belíssimo retrato dos seus últimos dias.
          Em suma, a morte do escritor tornou-se um acontecimento monumental, sobretudo no seu país natal, com escritores, artistas, seguidores e camponeses a afluírem em massa ao seu funeral e com os comboios entre Moscovo e Yasnaya Polyana, para onde o seu corpo foi transferido após a morte, a estarem cheios, tendo o governo russo proibido o recrutamento de comboios extraordinários.

          Curiosamente (ou talvez não), o centenário do seu passamento não está a ser muito celebrado na Rússia, provavelmente porque o escritor se opôs ferozmente à violência do Estado, porque considerava a união entre o Estado e a Igreja uma blasfémia, porque denunciou o falso patriotismo e porque escreveu a Alexandre III rogando-lhe que perdoasse os assassinos do seu pai.

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