terça-feira, 8 de novembro de 2011

Solução do mês de outubro

Orlando Ribeiro

Orlando Ribeiro dedicou toda a sua vida ao ensino e investigação em Geografia, e é a justo título considerado como o renovador desta ciência em Portugal. Foi também o geógrafo português do século XX com mais projecção ao nível internacional. A sua vasta obra inclui não só científicos na Geografia, mas revela também uma diversidade de interesses intelectuais invulgares. Orlando Ribeiro licenciou-se em Geografia e História em 1932, e veio a doutorar-se em 1935 pela Universidade de Lisboa com a tese A Arrábida, esboço geográfico. Entre 1937 e 1940 (durante a guerra) viveu em Paris, e trabalhou na Sorbonne, com Marc Bloch, Emmanuel de Martonne e A. Demangeon. Em 1940, foi nomeado professor da Universidade de Coimbra, mas rapidamente se instalou em Lisboa. Em 1943, já em Lisboa, fundou o Centro de Estudos Geográficos.
Da sua intensa actividade científico-académica destaca-se Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico. Em 1966, o Centro de Estudos Geográficos começou a publicar a revista Finisterra, que foi e continua a ser a principal publicação da Geografia portuguesa, com projecção internacional.
O interesse intelectual de Ribeiro pela História, Antropologia e Etnografia foi desenvolvido essencialmente enquanto discípulo de David de Melo Lopes e de Leite de Vasconcelos. Ribeiro lançou-se também na Geologia com Carlos Teixeira. Trabalhou ainda com Juvenal Esteves, Barahona Fernandes e Celestino da Costa.
Recebeu o grau de Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada, em 1987.

 Obras

  • Finisterra
  • A Arrábida. Esboço Geográfico, (1935)
  • Portugal o Mediterrâneo e o Atlântico, (1945)
  • A Ilha de Fogo e as Suas Erupções, (1954 e 1960)
  • Portugal, (1955)
  • Mediterrâneo. Ambiente e Tradição, (1968)

Escrever sem moderação

          A revista Ler, a partir do próximo mês de janeiro, disponibilizará páginas em todas as edições para os melhores textos - prosa (ficção e não-ficção) e poesia -, fotografias e ilustrações produzidos por jovens entre os 15 e 25 anos, enviados exclusivamente para o e-mail revistaler15.25@gmail.com. O tema é livre e os textos não podem ultrapassar os 3 000 caracteres.

Concurso literário "Uma Aventura"


Para mais informações, aceder ao sítio do concurso.

Concurso Nacional de Leitura 2012


          Já estão abertas as inscrições referentes à sexta edição do Concurso Nacional de Leitura, novamente promovido pelo Plano Nacional de Leitura (PNL), em articulação com a DGLB (Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas) e com a RBE (Rede de Bibliotecas Escolares). Tendo como principal objetivo estimular a prática da leitura entre os alunos do 3.º ciclo e do Ensino Básico e do Ensino Secundário, a iniciativa pretende avaliar a leitura de obras literárias pelos estudantes desses graus de ensino.

          À semelhança de anos anteriores, o concurso decorrerá em três fases:
  • 1.ª fase: Provas eliminatórias realizadas nas escolas concorrentes - de 24 de outubro de 2010 a 13 de janeiro de 2012;
  • 2.ª fase: Provas distritais realizadas nas bibliotecas públicas - durante o segundo período (esta fase termina a 30 de abril de 2012);
  • 3.ª fase: Final nacional - maio de 2012.
          As inscrições, que se encontram abertas desde o passado dia 24 de outubro, efetuam-se obrigatoriamente através de um formulário próprio.

          Para mais informações, basta aceder ao sítio do PNL.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Dia Mundial da Poupança


A poupança


É bom poupar
Para um dia gastar
Quando me casar
Às compras vou andar
Para nunca me faltar
Vou ter de poupar
Dinheiro vou amealhar
Para depois esturrar
Vou poupar
Até me reformar.


Vou poupar para no inverno
Umas botas comprar.
Agora em tempo de crise
O segredo é poupar
Para que um dia mais tarde
O possamos contar.


Se o governo precisar
Às poupanças vai buscar
Se não foram as poupanças
Sem dinheiro vai ficar
Até ao fim dos meus dias
O meu lema é poupar.


                         Rita Pacheco e Lúcia Pereira (7.º A)

terça-feira, 25 de outubro de 2011

À quarta foi de vez: «Man Booker Prize 2011»

          O escritor britânico Julian Barnes venceu, finalmente, o Man Booker Prize, com o romance The Sense of an Ending.
          A obra será publicada, em breve, em Portugal pela Quetzal.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Guia BE - EB2

Conheço um escritor: Ana Magalhães e Isabel Alçada

Concurso "Conheço um Escritor"

Prémio LeYa 2011

          João Ricardo Pedro, escritor nascido em Lisboa há 38 anos, é o vencedor do Prémio LeYa 2011, com a obra O teu rosto será o último, no valor de 100 mil euros.

          O galardão foi criado em 2008 com o objetivo de distinguir um romance inédito escrito em língua portuguesa. Os premiados nas duas primeiras edições foram o escritor brasileiro Murilo Carvalho, com o romance O Rastro do Jaguar (2008), e o moçambicano Borges Coelho, com a obra O Olho de Hertzog (2009). Em 2010, não foi atribuído em virtude de o júri ter considerado que nenhum dos romances concorrentes tinha qualidade suficiente.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

5 de outubro no 2.º ciclo


Manual de Procedimentos - EB2

Hífen

1. Uso

          O hífen é usado em:
  • palavras compostas que designam espécies botânicas ou zoológicas, estejam ou não ligadas por preposição ou outro elemento: couve-flor, cobra-capelo, etc.;
  • palavras compostas que não possuem formas de ligação e cujos constituintes, por extenso ou reduzidos, de natureza nominal, adetival, verbal ou numeral, mantêm a autonomia fonética e conservam o seu próprio acento: azul-escuro, decreto-lei, guarda-chuva, segunda-feira, etc.;
  • palavras formadas por prefixos ou falsos prefixos, quando o elemento seguinte começa por h: anti-herói;
  • palavras formadas por prefixos ou falsos prefixos terminados em vogal, quando o elemento seguinte começa pela mesma vogal: anti-inflamatório, contra-ataque, micro-ondas, etc.. (constituem exceção a esta regra as palavras formadas com o prefixo co-, que se escrevem aglutinadas, mesmo quando o elemento seguinte se inicia por o: coobrigação, coocorrência, etc.;
  • palavras formadas por prefixos ou falsos prefixos terminados em consoante, quando o elemento seguinte começa por uma consoante igual: inter-regional, sub-bibliotecário, super-resistente, etc. - se o elemento seguinte, porém, começa por uma consoante diferente ou por uma vogal, regra geral não se usa o hífen: supermercado, superinteressante, etc.;
  • palavras formadas por prefixos acentuados graficamente, como pós-, pré- e pró-: pós-graduação, pré-escolar, etc.;
  • palavras formadas pelos prefixos circum- e pan-, quando o elemento seguinte começa por h, m ou n: circum-navegação, pan-africano, pan-helénico.

2. Supressão

          O hífen deixa de ser usado nos casos seguintes:
  • na maioria das locuções, exceto algumas exceções estatuídas no texto do Acordo, como água-de-colónia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará e à queima-roupa;
  • nas palavras compostas em que desapareceu a noção de composição: mandachuva, paraquedas;
  • nas formas monossilábicas do presente do indicativo do verbo haver seguidas da preposição de: (eu) hei de, (tu) hás de, (ele) há de, etc.;
  • nas palavras formdas por prefixos ou falsos prefixos terminados em vogal, quando o elemento seguinte começa por r ou s, duplicando-se estas consoantes nesses casos: antirreflexo, ultrassecreto;
  • nas palavras formadas por prefixos ou falsos prefixos terminados em vogal, quando o elemento seguinte começa por uma vogal diferente: agroindustrial, antiaéreo, autoestrada, coautor, extraescolar, infraestrutura, plurianual, etc.

3. Uso do hífen com prefixos

b

domingo, 9 de outubro de 2011

Quatro poemas de Tomas Tranströmer

HISTÓRIAS DE MARINHEIROS (1954)

Há dias de inverno sem neve em que o mar é parente
de zonas montanhosas, encolhido sob plumagem cinza,
azul só por um minuto, longas horas com ondas quais pálidos
linces, buscando em vão sustento nas pedras à beira-mar.

Em dias como estes saem do mar restos de naufrágios em busca
de seus proprietários, sentados no bulício da cidade, e afogadas
tripulações vêm a terra, mais ténues que fumo de cachimbo.

(No Norte andam os verdadeiros linces, com garras afiadas
e olhos sonhadores. No Norte, onde o dia
vive numa mina, de dia e de noite.

Ali, onde o único sobrevivente pode estar
junto ao forno da Aurora Boreal escutando
a música dos mortos de frio).


§


A ÁRVORE E A NUVEM
 (1962)

Uma árvore anda de aqui para ali sob a chuva,
com pressa, ante nós, derramando-se na cinza.
Leva um recado. Da chuva arranca vida
como um melro ante um jardim de fruta.

Quando a chuva cessa, detém-se a árvore.
Vislumbramo-la direita, quieta em noites claras,
à espera, como nós, do instante
em que flocos de neve floresçam no espaço.


§


DESDE A MONTANHA
 (1962)

Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.

«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.

Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.


§


PÁSSAROS MATINAIS
 (1966)

Desperto o automóvel
que tem o pára-brisas coberto de pólen.
Coloco os óculos de sol.
O canto dos pássaros escurece.

Enquanto isso outro homem compra um diário
na estação de comboio
junto a um grande vagão de carga
completamente vermelho de ferrugem
que cintila ao sol.

Não há vazios por aqui.

Cruza o calor da primavera um corredor frio
por onde alguém entra depressa
e conta que como foi caluniado
até na Direção.

Por uma parte de trás da paisagem
chega a gralha
negra e branca. Pássaro agoirento.
E o melro que se move em todas as direções
até que tudo seja um desenho a carvão,
salvo a roupa branca na corda de estender:
um coro da Palestina:

Não há vazios por aqui.

É fantástico sentir como cresce o meu poema
enquanto me vou encolhendo
Cresce, ocupa o meu lugar.

Desloca-me.
Expulsa-me do ninho.
O poema está pronto.

sábado, 8 de outubro de 2011

"Lisboa"


     No bairro de Alfama os elétricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.
     Havia lá duas cadeias. Uma delas era para os ladrões.
     Eles acenavam através das grades.
     Gritavam que lhes tirassem o retrato.
     "Mas aqui", disse o condutor e riu à socapa como se cortado ao meio,
     "aqui estão os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada
     e lá no cimo um homem à janela
     tinha um óculo e olhava para o mar.
     Roupa branca no azul. Os muros quentes
     As moscas liam cartas microscópicas.
     Seis anos mais tarde, perguntei a uma dama de Lisboa:
     "Será verdade ou só um sonho meu?"

                            21 Poetas Suecos, Vega, 1981