terça-feira, 21 de abril de 2015

Uma ilustre visita


                No dia 17 de abril, a BE da Escola Secundária teve o prazer de receber nas sias instalações o Dr. António Vermelho do Corral, uma figura sobejamente conhecida do concelho.

                Após uma visita guiada ao espaço em que funciona a biblioteca, da responsabilidade da professora bibliotecária, o Dr. Vermelho do Corral ofereceu, simpaticamente, três obras da sua autoria que vêm enriquecer o nosso espólio, a saber: Quinta-feira da Ascensão, Quinta-feira da Espiga. Festa do Leite; Medicina Popular Tradicional – Religião, Superstições na Cultura Ribacundana (vol. II) e Processo Ritual e Tradição em Portugal a partir da Cultura da Zona de Riba Côa - Figueira de Castelo Rodrigo (vols. I e II).

"Palavras do Mundo em Cartaz"


                O Agrupamento irá participar no concurso “Palavras do Mundo em Cartaz”, uma iniciativa do PNL, participação essa enquadrada e subordinada ainda ao tema da Semana da Leitura.

Semana da Leitura 2015

     Mais uma vez, a Semana da Leitura foi comemorada no agrupamento através da realização de várias atividades. Este ano aproveitámos o ensejo para celebrar também o Dia Mundial da Poesia.
     Começámos por ler, no dia 13 de março, o livro Frederico à turma do pré-escolar da Casa de Freguesia de Escalhão. Os alunos ouviram atentamente a história, recontaram-na e com plasticina moldaram ratos e alguns dos elementos da natureza referidos na história. Observámos com imenso agrado o interesse manifestado pela docente para se integrar nas atividades de leitura dinamizadas pela BE.

     No dia 17, todas as turmas do 2.º e 3.º ciclos e do ensino secundário foram envolvidas no projeto Todos a LER. Assim, leram, no início de cada uma das aulas lecionadas, um poema selecionado pela equipa da biblioteca. O feedback da atividade foi positivo, tanto da parte dos docentes como dos alunos, alguns dos quais foram de imediato requisitar obras de onde tinham sido retirados os poemas.
     No dia 19, os alunos do pré-escolar da Vermiosa e da Reigada, aproveitando a deslocação às atividades dos Dia das Ciências, ficaram o resto do dia connosco. Almoçaram na cantina e, depois de se juntarem a nós os alunos do pré-escolar de Figueira, leram o livro Os ovos misteriosos, de Luísa Ducla Soares e recontaram-no. Posteriormente, procuraram entre as estantes e os expositores uma imagem colorida dos animais que participaram na ação. De seguida pintaram uma imagem ampliada correspondente àquela que encontraram, a qual foi colocada dentro do ovo. Terminadas as atividades de leitura, o esforço dos alunos foi recompensado com a degustação de um belo lanche confecionado pelos alunos do CEF-PP2.

     Os pais foram igualmente convidados para participaram na iniciativa, contando belas histórias à turma dos seus educandos, nomeadamente nas turmas A e B do 2.º e 3.º anos e A do 4.º ano da EB1 de Figueira de Castelo Rodrigo nas turmas do 3. º A B, 4.º A, 2.º A e B e pré-escolar.

     Por outro lado, às turmas do 1.º e 2.º ciclos foi lançado o desafio de construírem textos para colaborar no projeto História da Ajudaris. Algumas aceitaram o repto, pelo que foram enviados quatro textos, para um deles ser selecionado e integrar uma obra cujos proventos reverterão a favor da obra da instituição.
     Por seu turno, as turmas B e C do 8.º ano e A do 9.º elaboraram poemas alusivos ao tema da Semana da Leitura, tendo esta última produzido ainda um cartaz com palavras que são quase desconhecidas e a do 10.º C outro com arcaísmos. Estes trabalhos forma expostos na BE.

     O Mural de Escrita, subordinado ao tema da Semana, procurou desenvolver a competência da escrita, a criatividade e o espírito crítico, propondo aos alunos que escrevessem sobre a sua palavra preferida ou sobre a importância das palavras.

     Por último, a Equipa da Biblioteca Escolar promoveu uma exposição do fundo documental, dando realce a livros das várias áreas e de vários suportes e também ao fundo documental relacionado com a poesia.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

'metáfora habitada', Breve Leonardo

Sentam-se à direita do homem
as sombras,
as predilectas

opacas e profundas, fugazes
como centos de manhãs incompletas
de pássaros incapazes

as sombras,
tão imperfeitamente exactas, diríamos,
como auto-retratos em decomposição.


Outubro 2014, 11

'O Timbre e o Silêncio'


     Depois do destaque dado a António Fonseca, a Equipa das BE do Agrupamento de Escolas de Figueira de Castelo tem o maior prazer em divulgar mais um autor ligado a este concelho
     Breve Leonardo (pseudónimo) nasceu em Almada, em 1969, vive atualmente na aldeia do Bizarril e acaba de publicar a obra poética O Timbre e o Silêncio, uma edição de autor.


     Colaborador irregular no DN Jovem até à mudança por motivos profissionais para o Algarve, o seu primeiro poema, assinado com o pseudónimo Ricardo S., data de 1984. Seguiram-se-lhe novas colaborações com a imprensa, nomeadamente o jornal O Primeiro de Janeiro, até que, já a viver na nossa região, passou a divulgar a sua produção literária através de dois blogues, nomeadamente A Barca dos Amantes, onde escreve com a regularidade que «lhe é possível».
     Encontra-se já em preparação o segundo volume de textos poéticos de sua autoria, com edição prevista para o início do próximo ano e com o título provisório de Pedra Brisa Cinza Vaga.

terça-feira, 14 de abril de 2015

A partida de Günter Grass

     O Prémio Nobel da Literatura de 1999 faleceu ontem, aos 87 anos, na cidade de Lübeck, Alemanha.
     Nascido a 16 de outubro de 1927, em Gdansk, integrou as Waffen-SS hitlerianas durante a II Guerra Mundial e acabou por ser capturado, em 1945, pelas forças aliadas após ter sido ferido.
     A sua carreira literária teve início em 1959 com a publicação da obra O Tambor de Lata, posteriormente traduzida em várias línguas e adaptada ao cinema.
     Seguiram-se-lhe cerca de mais 30 obras, distribuídas por diferentes géneros (romance, poesia, teatro, textos autobiográficos), como Uma longa história, Mau agoiro, O cão de Hitler, Descascando a cebola, A caixa, O meu século, O pregado, A passo de caranguejo.
     O escritor e artista plástico, polémico assumido, consciência crítica da Alemanha nos últimos anos, não possuía telemóvel e dizia que a ideia de o ter e "estar sempre contactável e de certa forma observável" o aborrecia. Aliás, as (novas) tecnologias e as redes sociais tinham para si o efeito de uma alergia. Assim, escreveu sempre os livros à mão, passando-os depois através da sua velha máquina de escrever. Mais: quando os seus netos lhe falavam no Facebook e lhe diziam que tinham "500 amigos", Grass respondia: "Quem tem 500 amigos, não tem amigos.".

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Curiosidades Científicas

     O jornal I , com o apoio do projeto Ciência Viva, tem vindo a publicar, na sua última página, questões curiosas de ciência com as respetivas respostas de cientistas.
     A lista de perguntas e respostas pode ser encontrada aqui.

sábado, 28 de março de 2015

'O Poema', Herberto Helder

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne.
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
rios, a grande paz exterior das coisas,
folhas dormindo o silêncio
— a hora teatral da posse.

E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as casas deitadas nas noites
e as luzes e as trevas em volta da mesa
e a força sustida das coisas
e a redonda e livre harmonia do mundo.
— Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

— E o poema faz-se contra a carne e o tempo.


[in Ofício CantantePoesia Completa, de Herberto Helder, Assírio & Alvim, 2009]

quarta-feira, 25 de março de 2015

Um poema de Herberto Helder

a vida inteira para fundar um poema,
a pulso,
um só, arterial, com abrasadura,
que ao dizê-lo os dentes firam a língua,
que o idioma se fira na boca inábil que o diga,
só quase pressentimento fonético,
filológico,
mas que atenção, paixão, alumiação,
¿e se me tocam a boca?
de noite, a mexer na seda para, desdobrando-se,
a noite extraterrestre bruxulear um pouco,
o último,
assim como que húmido, animal, intuitivo, de origem,
papel de seda que a rútila força lírica rompa,
um arrepio dentro dele,
batido, pode ser, no sombrio, como se a vara enflorasse com as faúlhas,
e assim a mão escrita se depura,
e se movem, estria atrás de estria, pontos voltaicos,
manchas ultravioletas a arder através do filme,
leve poema técnico e trémulo,
a vida inteira para fundar um poema,
a pulso,
um só, arterial, com abrasadura,
que ao dizê-lo os dentes firam a língua,
que o idioma se fira na boca inábil que o diga,
só quase pressentimento fonético,
filológico,
mas que atenção, paixão, alumiação,
¿e se me tocam a boca?
de noite, a mexer na seda para, desdobrando-se,
a noite extraterrestre bruxulear um pouco,
o último,
assim como que húmido, animal, intuitivo, de origem,
papel de seda que a rútila força lírica rompa,
um arrepio dentro dele,
batido, pode ser, no sombrio, como se a vara enflorasse com as faúlhas,
e assim a mão escrita se depura,
e se movem, estria atrás de estria, pontos voltaicos,
manchas ultravioletas a arder através do filme,
leve poema técnico e trémulo,
linhas e linhas,
línguas,
obra-prima do êxtase das línguas,
tudo movido virgem,
e eu que tenho a meu cargo delicadeza e inebriamento
¿tenho acaso no nome o inominável?
mão batida, curta, sem estudo, maravilhada apenas,
nada a ver com luminotecnia prática ou teórica,
mas com grandes mãos, e eu brilhei,
o meu nome brilhou entrando na fase inconsútil,
e depois o ar, e os objectos que ocorrem: onde?
fora? dentro?
no aparte,
no mais vidrado,
no avêsso,
no sistema demoroso do bicho interrompido na seda,
fibra lavrada sangrando,
uma qualquer arte intrépida por uma espécie de pilha eléctrica
como alma: plenitude,
através de um truque:
os dedos com uma, suponhamos, estrela que se entorna sobre a mesa,
poema trabalhado a energia alternativa,
a fervor e ofício,
enquanto a morte come onde me pode a vida toda

                                                                      [in Ofício Cantante, Assírio & Alvim, 2008]

Calou-se um poeta: Herberto Helder


     O poeta Herberto Helder faleceu na passada segunda-feira na sua casa de Cascais, aos 84 anos.
     Considerado por vários autores o poeta mais importante da segunda metade do século XX, à semelhança de Fernando Pessoa na primeira, Herberto Helder criou uma obra notável, uma espécie de «poema contínuo constantemente reescrito», que culminou com a publicação de A Morte sem Mestre, em 2014.
     O escritor nasceu a 23 de novembro de 1930 no Funchal e publicou os seus primeiros poemas precisamente em antologias madeirenses - Arquipélago (1952) e Poemas Bestiais (1954) - e na revista "Búzio". Já a sua obra de estreia, O Amor em Visita, datada de 1958, foi editada pela Contraponto, numa época em que o poeta fazia parte do grupo surrealista lisboeta que tinha como figuras principais Mário Cesariny e Luís Pacheco.
     Frequentou entretanto a Universidade de Coimbra - primeiro a faculdade de Direito e depois o curso de Filologia RoMãnica -, mas não concluiu a sua frequência. Nessa fase da vida, teve vários empregos (uma «tradição» que manteve ao longo de grande parte da existência), desde a Caixa Geral de Depósitos até ao Serviço Meteorológico, passando pelas áreas da publicidade e da propaganda médica.
     Em 1961, publicou a obra que o consagrou enquanto poeta: A Colher na Boca. Seguiram-se-lhe muitas outras, como Vocação Animal (1971), Cobra (1977), O Corpo o Luxo a Obra (1978), A Cabeça entre as Mãos (1982), A Última Ciência (1988), Do Mundo (1994), A Faca não Corta o Fogo (2008) ou Servidões (2013), bem como os intervalos de tempo de eclipse.
     Avesso a aparições públicas, a fotografias e a entrevistas, recusou, em 1994, a atribuição do Prémio Pessoa, pedindo que o dessem a outro.

terça-feira, 24 de março de 2015

Centenário de "Orpheu"


     Comemora-se hoje o centenário da revista Orpheu, o órgão do Modernismo português, cujo número inicial terá saído da gráfica a 24 de março de 1915.

quarta-feira, 18 de março de 2015

terça-feira, 17 de março de 2015

'Estatística'

Quando eu nasci havia em Portugal
(em Portugal continental
e nas ridentes,
verdes e calmas
ilhas adjacentes)
uns seis milhões e umas tantas mil almas.
Assim se lia
no meu livrinho de Corografia
de António Eusébio de Morais Soajos.
Hoje, graças aos progressos da Higiene e da Pedagogia,
Já somos quase dez milhões de gajos.

                                                                                António Gedeão

segunda-feira, 16 de março de 2015

'Sinais contrários'

Cheguei ao quadro e peguei no giz
Do nosso amor... fiz uma equação,
Andei, depois, às voltas com o X
Do teu desconhecido coração.

Desejava somente conhecer
O valor d'essa incógnita, querida,
Para que, então, pudesse resolver
O problema maior da minha Vida!

Da fórmula geral do nosso afeto
Comecei a fazer as deduções,
E - podes crer - meu fito predileto
Era igualar as nossas afeições

Queria reduzir à unidade
As nossas almas, porque os meus intentos,
Eram apenas... pôr em igualdade
As expressões dos nossos sentimentos

Mas ao chegar às deduções finais
Eu pude ver, então, nesse comenos
Que o meu afeto... tinha o sinal mais
E o teu - formosa Ingrata - o sinal menos.

                                                  António Ferreira

quinta-feira, 5 de março de 2015

Lendo 'Frederico', de Leo Lionni


     A equipa da BE, no âmbito do projeto «Ler para Crescer», dinamizou a leitura da obra Frederico, do escritor Leo Lionni, junto dos alunos do ensino pré-escolar.

     Assim, foi criado um tapete para contar a história, que posteriormente foi recontada pelos alunos. De seguida, elaboraram, de forma divertida e em plasticina, pequenos ratos e outros elementos que dela constavam.

     Por último, coloriram, individualmente, a imagem de um rato, dando, desse modo, vazas à sua imaginação.